Chefe abusivo, emprego em risco.

janeiro 25, 2017

Confesso que passei um bom tempo pensando em um título ideal para o post. Confesso também que levei mais tempo do que normalmente levo para escrevê-lo. Descrever tal situação é extremamente sensível e difícil, ao mesmo tempo que relembrar é revoltante. Eu sei bem que casos como esse que será comentado hoje não são nada incomuns, e isso é lamentável. O que fazer quando o chefe é abusivo? Como proceder quando ele passa dos limites? Como saber se ele está realmente passando dos limites? Nós vivemos em um mundo cada dia mais egoísta e individual. Pessoas gananciosas que pisam em quem precisar para crescer mais. E não é difícil encontrar pessoas assim em ambiente de trabalho.

Gritar, atribuir trabalhos que não fazem parte da sua função, atrasar constantemente pagamentos, se negar a pagar hora extra/13° ou outros direitos, explorar sua carga horária (só são permitidas no máximo 2h extra por dia remuneradas), dizer palavras duras que te façam se sentir humilhado, só critica e nunca te ajuda a melhorar ou crescer, chantagear a sua permanência no emprego, mudar seus horários constantemente, entre outras situações caracterizam um chefe/emprego abusivo. O empregado sente-se cada vez mais em um nível avançado de estresse, desmotivação, pressão psicológica, e até mesmo tristeza. Pensa-se em soluções, mas a cada mês que passa torna-se mais difícil tomar alguma atitude. Eu, por exemplo, passei dois anos em uma certa empresa que era um Deus nos acuda! O quadro de funcionário rodava constantemente, pois era bem difícil achar alguém que deixasse passar tudo o que acontecia, o que você precisava ouvir e fazer.

Tudo começou quando eu estava em busca do meu primeiro emprego. Jovem, sem experiência, louca pra ter nas mãos seu primeiro salário, querendo estrear bem na vida de adulta, e ajudar financeiramente a mãe. Deixei vários currículos, até que fui chamada para uma entrevista marcada para as 14h. Começou daí quando o chefe, que iria realizar a entrevista, chegou simplesmente quase 17h! Foram quase três horas de espera. Quando marcaram o treinamento, para aqueles que foram selecionados, passávamos 10 horas por dia em treinamento, com direito a 1 hora de almoço, e sem nenhuma ajuda de custo. Quando foram confirmados que ficaríamos com a vaga, foram prometido mundos e fundos, mas de cara deixaram claro que não pagariam 13°. Mas como assim? Isso não é lei? Ele alegava que ganharíamos suficiente bem para juntarmos nosso 13°. Mas tudo bem... Até se passar as duas ou três primeiras semanas e ele mostrar as garras. Gritos, palavras duras, pressão psicológica, exigências acima do normal, nenhuma importância para as leis trabalhistas, exploração da carga horária sem nenhum pagamento de hora extra, mal tínhamos 5 minutos para almoço, era ir e voltar "o mais rápido possível". Havia meses que entrávamos 09:30h e só saíamos 22:00h. Nada de ajuda de custo (somente nos 2 ou 3 primeiros meses), exigia até que fizéssemos um curso que não tinha nenhuma ligação com a nossa função, só para estarmos mais habilitados a aderir a tal função em sua empresa, do contrário ele iria demitir todos. Isso, entre muitos outros absurdos que precisávamos ouvir calados. Várias pessoas saíam e o colocavam na justiça, mas isso não parecia o amedrontar. A única vez que ele chegava para falar com seus empregados era na hora de brigar, e muitas das vezes através do grupo no whatsapp. Na maioria das vezes ele se recusava a falar com os empregados. Bom dia? Olá? Como vai? Raríssimas vezes, com a voz baixa, cara feia, e rosto virado.  


Até que depois de aguentar alguns anos eu decidi me impor e começar a exigir meus direitos, pois eram meus e eu poderia tê-los sim! E foi então que ele percebeu que já não era mais interessante me ter em seu quadro de funcionários, assim como não era interessante empregar qualquer pessoa que se demonstrasse interessada em ter seus direitos. Claro, ele tentou algumas formas de me fazer pedir demissão, mas graças a Deus por pouco tempo. Até que no começo desse ano de 2017 ele (através da gerente, que era uma santa por aguentar tudo em porção dobrada) me mandou assinar o aviso prévio. Instantaneamente parecia que um peso de minhas costas começava a sair. Foram 23 dias de pura ansiedade e alívio. Sonhos e desejos vieram à tona novamente, com tempo livre, cabeça leve, tudo era uma nova possibilidade. Iniciar uma graduação, continuar meu tão amado curso de Inglês que eu tinha trancado, me dedicar mais a minha família, visitar a minha avó em seu aniversário de 90 anos, viajar mais, etc. (Aquelas coisas que coloquei no meu post de metas para 2017).


Só então eu percebi o quanto estava presa, o quanto o nível de estresse mental era grande, o quanto o cansaço psicológico pode ser pior do que o físico em certos casos. Hoje posso ter um visão de tudo isso ainda maior, por um lado a experiência é sempre válida. Sei que agora estou mais preparada pra vários tipos de emprego, sei também qual área me identifico ou não, aprendi que nem sempre ficar calada e aguentar é a solução.  

Hoje estou ansiosa para encontrar outro emprego, mas não vou apressar demasiadamente as coisas. Vou analisar com calma, e selecionar o que realmente vale a pena. Considerar as primeiras impressões, e nunca diminuir a importância delas, assim como fiz nos primeiros sinais que tive desse emprego. Quero me dedicar a estudar, e até ter mais tempo pro blog, que por enquanto ainda é um hobby. Cuidar da minha saúde também é prioridade, com mais tempo livre, já que era difícil conciliar médicos, boa alimentação e atividades físicas com os horários conturbados. 

Você está passando por uma situação como essa? Analise os fatos, exija os seus direitos, se possível guarde provas (fotos, áudios, testemunhas, mensagens, etc), se informe no ministério do trabalho (ligue 158), e caso ache que vale a pena consulte um advogado ou a defensoria pública da sua cidade. Pedir demissão é chato, pois você acaba perdendo alguns direitos, mas caso ele não dê demissão, não vale à pena estar submissa a um chefe com essas características. Você adoece psicologicamente, e ele fica numa boa. Vale lembrar também que existe uma lei chamada rescisão indireta, que é quando o empregado prova que o empregador quebrou alguma lei trabalhista ou algum ponto no contrato de trabalho e consegue pedir demissão e ainda assim receber todos os direitos (como fgts, os 40% e seguro desemprego). 

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